15 de mar. de 2007

Jovens companhias locais
unem forças no Festival de
Teatro de Curitiba




Dentre as muitas atrações do Festival de Teatro de Curitiba que se inicia no dia 22 de março, vale a pena conferir a “Mostra Novos Repertórios”, a qual apresentará um panorama da jovem produção teatral da cidade.
A mostra reúne as companhias “A Armadilha”, “Companhia Silenciosa”, “Pausa Companhia” e “Companhia Provisória”, que vêm realizando um trabalho artístico consistente, baseado em muita pesquisa e antenado com as novas tendências teatrais.
Os espetáculos apresentados serão “Os Leões”, (Armadilha), “Mecânica” (Companhia Silenciosa), “Menos Emergências” (Pausa) e “Após ser jogado no rio e antes de me afogar” (Companhia Provisória).
Eles ficam em cartaz no Teatro Experimental da UFPR (TEUNI), de 22 de março a 1 de abril, dentro da programação do Fringe. Além disso, de 27 a 30 de março, serão apresentados ao público, também no TEUNI, leituras dramáticas de textos inéditos.
Os ingressos custam R$14 e R$7 (meia-entrada), sendo que as leituras dramáticas têm entrada franca. O TEUNI fica na Trav. Alfredo Bufren, 140, Praça Santos Andrade. Informações pelo tel.: 3310-2736.

Programação dos espetáculos

Os Leões Dias: 22, 23 e 31 às 24h; 25 e 27, às 18h; 24, 30 de março e 1 de abril, às 21h. Comédia. Levemente inspirado na obra do escritor argentino Jorge Luis Borges, o texto mostra dois homens que dividem um apartamento numa cidade pouco agitada em algum país indefinido. Enquanto o tempo passa e eles seguem o seu cotidiano, coisas estranhas acontecem, objetos desaparecem, informações se contradizem e os diálogos se tornam cada vez mais improváveis. Há uma eterna impressão de que há algo errado com a realidade na qual esses dois homens convivem. Companhia: A Armadilha. Texto: Pablo Miguel de la Vega y Mendoza. Tradução e adaptação: Diego Fortes. Direção: Nadja Naira. Elenco: Alexandre Nero e Diego Fortes.
Mecânica Dias: 24 e 25, às 24h; 29 e 31, às 21h; 23, 26, 28 de março e 1 de abril, às 18h. Comédia. Onde vê-se a pele leia-se a necessidade do reparo. O verbo sem anestesia, a amoniacal harmonia do movimento. Todos os chicotes sem capataz, o mito está estabelecido. A mulher entreaberta, na fresta o olho espião. A conexão dos corpos, a atração dos ferros. Mecânica é a catapulta do amor. Companhia Silenciosa. Dramaturgia: Léo Glück. Encenação: Giorgia Conceição. Elenco: Ana Ferreira, Léo Glück e Angelo Cruz. Duração: 50’.
Menos Emergências Dias: 22 e 23, às 21h; 26, 28 e 29, às 23h59; 27, às 21h e 23h59; e 30 de março, às 18h. Drama. Três histórias curtas. A primeira gira em torno de uma mulher que se casa muito cedo. A segunda reconstitui uma cena de massacre numa escola. A terceira faz o retrato de um casal que veleja pela borda do mundo, enquanto o filho fica trancado em casa, numa cidade atingida pela guerra civil. Em cena, nenhum dos personagens. Apenas quatro pessoas a contar (ou criar) histórias. Pausa Companhia Texto: Martin Crimp. Direção: Marcio Mattana. Elenco: Andréa Obrecht, Gabriel Gorosito, Renata Hardy e Rodrigo Ferrarini. Duração: 60’.
Após ser jogado no rio e antes de me afogar Dias: 24, 29 e 31, às 18h; 25, 26 e 28, às 21h; 30 de março e 1º de abril, às 24h00. Romance. A história de um cachorro veloz que adora apostar corridas com outros cachorros no mato, e que tem uma visão muito particular dos seres humanos ao seu redor. Companhia Provisória. Texto: Dave Eggers. Adaptação: Companhia Provisória. Direção: Nina Rosa Sá. Elenco: Cleydson Nascimento, Elói Magalhães, Gessé Malmann e Débora Vecchi.Duração: 50`.
Leituras dramáticas

Jesus vem de Hannover Dia 28, às 14h30. Não há escolha para as personas de Jesus vem de Hannover: sua desistência da vida é a única condição humana laudável. Em uma obra cujo sentido está para fora do que se vê, é reconfortante saber que o problema, caso exista, não está em nós e sim no eclético atavismo que nos escolhe a seu bel-prazer. Seis vidas prévias que necessitam eliminar seu autor, de apetites grosseiros e rudes instintos, com ligeiro apego pelo afeto não dado. O humano é a célula-mãe deste texto em cujas profundidades não há meios de se mergulhar. Companhia Silenciosa. Texto: Léo Glück

Ninguém assiste ao vídeo Dia 30, às 14h30. Elizabeth é uma dona de casa com vagas preocupações sociais, que acaba de sair de um casamento e, no decorrer da peça, vai transformar-se numa eficiente mulher de negócios. Além de ser uma sátira cruel ao mundo da pesquisa de mercado, a peça é também um retrato das desilusões da Europa depois da vitória do capitalismo. Pausa Companhia. Texto: Martin Crimp.
(How to play) The love games Dia 29, às 14h30. Um homem dá uma entrevista coletiva perdoando seu próprio assassino. Essa situação, que estrutura a principal ação dramática da peça, é, em alguma medida, baseada no depoimento do criminoso Mark Chapman, assassino de John Lennon, que, ao pedir junto à justiça americana sua liberdade condicional, alegou que seria perdoado pela vítima. Lennon, Chapman, todas as circunstâncias do crime - entre elas, a questão da superexposição aos meios de comunicação e a ambição cega pela celebridade - e o romance Moby Dick, de Herman Melville, servem de material temático para o enredamento da trama do texto, que, essencialmente, busca tratar das obsessões humanas. Companhia Provisória. Texto: Daniela Pereira de Carvalho.
Mentira! Dia 27 às 14h30. Seis pessoas dividem um apartamento alugado. Os homens e mulheres se desejam em segredo e quando a primeira traição é revelada, uma sucessão de vinganças e novas traições acontecem. A situação sai do controle até o ponto em que é firmado um acordo de transparência e aceitação de todo e qualquer envolvimento entre os membros da casa sem retaliação ou crítica. O texto transita entre a necessidade de se manter uma vida monogâmica baseada no romance e o instinto masculino e feminino de experimentar a sexualidade com vários parceiros e rediscute a definição do que é “normal” e do que é a traição. Companhia: A Armadilha. Texto: Alejandro Kauderer.

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