14 de nov. de 2014

A destruição ao alcance da “Mão”

Ator e diretor veterano em Curitiba, Hermison Nogueira faz sua estreia na dramaturgia. Até o dia 11 de dezembro, no Colégio Estadual do Paraná, fica em cartaz a montagem de “Mão”, que reúne seis textos curtos de Nogueira. As sessões acontecem às quartas e quintas, sempre em dois horários: 19h30 e 21h30. A entrada é gratuita.
Acostumado a trabalhar com peças complexas, como a “A Língua da Montanha”, de Harold Pinter, e “(A)tentados”, de Martin Crimp, já montadas no Colégio Estadual, em “Mão” Nogueira apresenta uma dramaturgia igualmente ousada, que trata, de maneira ampla, sobre várias formas de destruição praticadas pela mão humana. 
A peça acontece na sala subterrânea número 10, com capacidade para 40 pessoas.  “Esse espaço oferece uma proximidade grande com o espectador. Além disso, é apropriado ao nosso tema por ser sombrio. É quase uma tumba”, brinca Nogueira. 

Linguagem poética 
Em “Mão”, os atores Andreia Fragoso, Diego Aleixo, Eduardo Gotardelo, Francielly Rocha, Joyce Constantino, Rafael Nepel, Marcio Santos e Wagner Barroso lidam com uma linguagem poética, que foge do lugar-comum. 

Resumir o enredo de cada um dos seis textos – “Terrestre”; “Ar-Má”;  “Renascimento”; “Emboscada”; “Palindromia”, e “Guilhotina” – é, portanto, tarefa complicada. O dramaturgo prefere que o público tenha liberdade para tirar suas conclusões, sem ser contaminado por explicações prévias. 
A força no olhar dos atores, a precisão de seus movimentos e a segurança transmitida por eles são elementos que também já dizem muito sobre o trabalho.  Composto em sua maioria por alunos formados no curso técnico de teatro do Estadual, o elenco fez quase um ano de treinamento com Nogueira, que é também professor do colégio. 

“Trabalhamos com a perspectiva de que o palco não é um espaço convencional. Para ocupá-lo, você precisa justificar isso. Um ator não pode se igualar ao espectador em termos de energia, de potência. Tem que ir além”, conclui Nogueira.

SERVIÇO
Peça: “Mão”
Texto e direção: Hermison Nogueira
Atuação:  Andreia Fragoso, Diego Aleixo, Eduardo Gotardelo, Francielly Rocha, Joyce Constantino, Marcio Luiz dos Santos, Rafael Nepel, Wagner Barroso
Local: Sala 10 do Colégio Estadual do Paraná. Av. João Gualberto, 250, Centro
Data: Quartas e quintas em dois horários: 19h30 e 21h30. Até 11 de dezembro
Entrada gratuita 


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1 de abr. de 2013

Oficina de treinamento de ator com Hermison Nogueira começa no dia 6 de abril


oficina de hermison nogueira

No mês de abril, o ator e diretor  Hermison Nogueira (diretor deCorrente Fria, Corrente Quente) inicia uma Oficina para Treinamento de Ator no Centro de Criatividade Astrolábio (Rua Mateus Leme, 757). A atividade é realizada em encontros semanais e acontece até dezembro, encerrando com apresentações dos participantes.

Para quem deseja conhecer o método de trabalho antes de se matricular, no sábado, dia 6, das 14h às 18h, e na terça-feira, dia 9, das 19h às 22h, Nogueira ministra aulas experimentais gratuitas.

Aberta a um público com idade a partir de 15 anos, e que inclui desde pessoas que nunca fizeram teatro a atores profissionais, a oficina possui duas turmas. Na turma 1, os encontros acontecem nas terças e quintas, das 19h às 22h, num total de seis horas semanais. O custo mensal é de R$ 150. Na turma 2, os encontros acontecem aos sábados, das 14h às 18h, num total de quatro horas semanais. O custo mensal é de R$ 120.  A matrícula para ambas as turmas custa R$ 30.  

Objetivo e metodologia do curso
O objetivo da oficina é conduzir as potencialidades expressivas do ator, reconfigurando dimensões internas e externas, em esferas do mundo ético e estético. O treinamento visa à autonomia artística e é organizado por procedimentos e conceitos originários do Butoh, do Tai Chi Chuan, da imitação de animais, da investigação do trabalho de ator na rua, do universo do Clown e de pesquisas vocais baseadas na técnica de Ressonância de Corpo Inteiro. Nas oficinas serão trabalhados alguns exercícios de: base; caminhadas; quedas; equilíbrio/fora de equilíbrio; objetos (corda/bastão); ressonadores/ressonâncias; solo; saltos; fio de seda e explosões.
retrato Hermison Nogueira FOTO preto e branco Divulgação
Currículo de Hermison Nogueira
Hermison Nogueira é ator-pesquisador, formado em Educação Artística – Habilitação em Artes Cênicas, pela Faculdade de Artes do Paraná, em 2001, e no curso de Formação de Ator pela Universidade Federal do Paraná, em 2000. Atuou como professor do Grupo de Teatro (Gruta) e no curso Técnico de Arte Dramática do Colégio Estadual do Paraná de 2006 a 2012, onde desenvolveu um treinamento para a formação de ator. Estudou com Alvaro Nadolny, Ricardo Puccetti, Carlos Simioni, Chacovachi, Jesser de Souza, Ko Murobushi, Enrique Diaz e Mariana Lima. Peças mais recentes que dirigiu: Corrente Fria ,Corrente Quente(2013), de Fernanda Fuchs; Margem (2011), inspirada no conto A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa; O Sobrado (2010), baseada no romance histórico O Continente, de Erico Veríssimo; A Língua da Montanha (2009), de Harold Pinter; e (A)tentados (2008), de Martin Crimp.

CRONOGRAMA
Turma 1: Encontros nas terças e quintas, das 19h às 22h, num total de seis horas semanais.
Turma 2: Encontros aos sábados, das 14h às 18h, num total de quatro horas semanais.
Aula experimental: sábado (06/04), das 14h às 18h; e terça-feira (09/04), das 19h às 22h.

Serviço:

Oficina de treinamento de ator com Hermison Nogueira. Os encontros semanais começam em abril e acontecem até dezembro. Local: Centro de Criatividade Astrolábio. Rua Mateus Leme, 757. Mensalidade: R$ 150 (turma 1) e R$ 120 (turma 2). Mais informações pelohttp://www.centroastrolabio.com.br, fones (41) 3082-3232; (41) 9610-6240 e email hfnogueira01@yahoo.com.br

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LEIA ALGUMAS RESENHAS SOBRE PEÇAS DE HERMISON NOGUEIRA PUBLICADAS NO FRANCOFONIA
http://francofonia.blogspot.com.br/search/label/GRUTA

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28 de mar. de 2013

drama no mar do japão, na imaginação de uma brasileira


Fotos: Vanessa Vzorek
Fernanda Fuchs, na peça Corrente Fria, Corrente Quente, FOTO 1 Vanessa Vzorek
Com texto premiado, monólogo Corrente Fria, Corrente Quenteestreia no Festival de Curitiba. Gratuita, a peça acontece nos dias 29 e 30 de março na Casa Hoffmann, no Largo da Ordem
O encontro das correntes oceânicas Oyashio (do tipo fria) e Kuroshio (quente) provoca uma abundância de peixes no Japão. Mas, na cabeça da atriz e dramaturga Fernanda Fuchs, o encontro das águas gerouCorrente Fria, Corrente Quente, uma história premiada em 2013 com o terceiro lugar no Concurso de Contos Bunkyo, promovido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Serviço Social em São Paulo.
Transformado em monólogo teatral, com atuação de Fernanda e direção de Hermison Nogueira e Franco Fuchs, o espetáculo estreia na mostra Fringe do Festival de Curitiba. Com entrada gratuita, as apresentações acontecem na Casa Hoffmann, no Largo da Ordem, no dia 29 de março, às 17h, e no dia 30, às 19h.

Luta cotidiana pela sobrevivência


Em “Corrente Fria, Corrente Quente”, uma menina de Okinawa (província localizada no Sul do Japão) fala sobre o desaparecimento do pai, que saiu para pescar em alto-mar e nunca mais voltou. Para além do trauma, a montagem busca transmitir impressões sobre como era o cotidiano da garota. O peso da rotina e do trabalho ligado à pesca é evocado indiretamente, através da manipulação de sacos de juta, oriundos do Mercado Municipal de São Paulo. Os sacos são usados como adereços, objetos de cena e cenário, que criam um universo de sonho onde a história se desenrola, sempre a poucos metros do público.
Fernanda Fuchs, na peça Corrente Fria, Corrente Quente, FOTO 4 Vanessa Vzorek
Imaginário japonês

Nascida em Paranaguá e criada em Curitiba, a atriz e dramaturga Fernanda Fuchs nunca foi ao Japão. Sua peça foi criada então a partir do seu imaginário sobre a “terra do sol nascente” e com pesquisas sobre a geografia do Japão – em especial, sobre as correntes marítimas (Oyashio, Kuroshio) que afetam a pesca no país –, e sobre elementos culturais, como a gravura “A Grande Onda de Kanagawa”. “Nas pesquisas, me chamou a atenção a força das correntes marítimas, assim como dos terremotos e tsunamis no Japão, desastres que parecem ser encarados com naturalidade pela população”, conta Fernanda.

Biografia de Fernanda Fuchs


Fernanda Fuchs, 22 anos,  é atriz, professora de teatro, dramaturga, cantora e compositora. Desde 2011, faz parte da Companhia do Intérprete. Com esse grupo ela também se apresenta no Festival de Curitiba na peça Companhia Frazão. Estudou teatro com o diretor e ator Hermison Nogueira, atuando nas peças Aurora da Minha Vida eLíngua da Montanha, dirigidas por Nogueira. Estudou canto e voz com Alvaro Naldony, maestro do Coral da UFPR. Desde 2011 é aluna do Conservatório de MPB de Curitiba e estuda canto popular com a professora Ana Cascardo. Pós-graduanda em Gestão Cultural pelo Senac, é formada em Teatro pela Faculdade de Artes do Paraná. Participou de oficinas com Ricardo Puccetti e Carlos Simioni, do grupo LUME, e com Fernando Sampaio, do grupo LaMínima. Em fevereiro de 2013, com o texto Corrente Quente, Corrente Fria, Fernanda foi premiada em São Paulo com o 3º lugar no 1º Concurso de Contos Bunkyo.

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Autora e atriz de Corrente Fria, Corrente Quente, Fernanda Caldas Fuchs fala sobre a sua peça.

Qual é a importância de o texto de Corrente Fria, Corrente Quenteter sido premiado no Concurso de Contos Bunkyo? E como foi a cerimônia de premiação em São Paulo?
FERNANDA CALDAS FUCHS – Além do reconhecimento de uma instituição, acho que o mais interessante é o texto  ter sido premiado por uma Sociedade de Cultura Japonesa. Acho que não foi por acaso, e de alguma maneira consolida essa minha parceria com o Japão. A premiação foi muito boa, emocionante, e pude conhecer várias pessoas do Bunkyo. Esse conto representa muitas coisas para mim. Não tem sido fácil transformar esse texto em uma peça de teatro e esse prêmio com toda certeza deu mais um gás para construir esse espetáculo.

É verdade que você escreveu Corrente Fria, Corrente Quente de uma só vez, numa espécie de fluxo de consciência?Sim. Eu sabia que tinha que escrever um texto, de alguma maneira eu tinha que contar alguma história. Em um dia pela manhã, reuni alguns materiais: músicas, imagens e dados sobre o Japão. Coloquei as músicas para tocar e, enquanto ouvia, fui escrevendo. Escrevi de uma só vez. Quando terminei, reli e modifiquei pequenas coisas. Não mudei a estrutura.

E como foi o processo de pesquisa anterior? Você teve a orientação de alguém? E o que você descobriu de mais fascinante sobre o Japão?      
Tive orientação do diretor Hermison Nogueira e de mais algumas pessoas do grupo Gruta, do Colégio Estadual do Paraná. O Hermison foi a pessoa que mais me enviou material: músicas, imagens, documentários e filmes sobre a cultura nipônica. Também fui ao consulado do Japão e pedi materiais. Entrei em sites e pesquisei sobre a geografia e a história do país. O que mais me chamou a atenção foi a força das correntes marítimas, assim como dos terremotos e tsunamis, desastres que parecem ser encarados com naturalidade pela população. É doido pensar que são milhares de ilhazinhas, pensar que você está ilhado, não tem espaço para o gado e é só peixe, arroz e chá. O Japão me passa um clima sombrio, não consigo achar ele muito alegre.

Você pensa em conhecer o Japão? Quem sabe apresentar a peça em Okinawa?Tenho um pouco de medo de lá. Mas, se pintar uma oportunidade, vou com toda certeza.

Você é de Paranaguá e seu pai trabalha no porto, certo? O porto de Naha, descrito por você no texto, tem algo do porto de Paranaguá?
É bem provável. Nunca fui ao Porto de Paranaguá, mas lembro que quando visitávamos a cidade sempre passávamos em regiões bem fedidas e lembro da mãe dizer que era por causa do porto; possivelmente, de algumas cargas que ficavam por lá. Sempre havia várias moscas e a desculpa era sempre o porto. Acho que são coisas que coloquei no texto inconscientemente.

Quais são alguns dos momentos que mais te tocam ou que você mais gosta em Corrente Fria, Corrente Quente?Gosto muito do barulho das ondas e dos ventos, presentes na montagem. Gosto de trazer as corrente marítimas para o espetáculo. Gosto quando o pai da menina diz que não gosta de peixe, mesmo ele trazendo sempre para a família vários frutos do mar. E me chama a atenção o fato de o pai ficar dois dias com a família e sete dias com o mar. O sete veio na minha cabeça. Não tenho muitas explicações para ele.

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22 de ago. de 2012

Teatro


ANIMAL NÃO É BRINQUEDO
Estreia no dia 2 de setembro o espetáculo infantil Dito e Feito, que alerta sobre o problema do abandono de animais em São José dos Pinhais. Montagem da Companhia do Intérprete usa elementos cômicos dos desenhos animados para encantar as crianças

Fotos: Vanessa Vzorek
Textos: Franco Caldas Fuchs
Os uivos que ecoam pelas ruas de São José dos Pinhais são como um aviso: o abandono de animais se tornou um problema grave, que coloca bichos e cidadãos em risco. O tema sério é abordado, porém, de maneira leve e divertida pelo espetáculo infantil Dito e Feito, encenado pela Companhia do Intérprete.
A estreia acontece com entrada franca no dia 2 de setembro, às 17h, no teatro Leopoldo Scherner, localizado no campus da PUC-PR em São José dos Pinhais. Já as demais apresentações, que vão até o dia 17 de setembro, serão restritas às escolas da cidade.
Em Dito e Feito, as crianças acompanham a história do menino Oscar, interpretado por Luann Vianna. Após ganhar um cachorro da sua mãe (Elizabeth Oliveira), ele percebe que o cãozinho Dito possui um problema de locomoção. Abandonar o bichinho, tal como aconselha o amigo Pedro (Valter Dorte) ou amá-lo assim mesmo vira o seu grande dilema.
Educar com diversão
Em clima de comédia, o enredo de Dito e Feito se desenvolve ao som de músicas divertidas compostas por Fernanda Fuchs e Daniel D'Alessandro, e com direito a danças contagiantes criadas por Amanda Lima. “Nosso desafio foi encontrar uma maneira atraente de estimular as crianças a cuidar dos animais, sem cair num moralismo chato”, diz o diretor Elderson Melo. Tom e Jerry, Padrinhos Mágicos e Os Sete Monstrinhos são alguns dos desenhos animados usados pelos atores como referência para a criação de expressões e movimentos caricaturais.

Da mesma forma, o universo lúdico dos desenhos também se reflete em figurinos estilizados, cabelos coloridos e em cenários que mesclam elementos de um apartamento com brinquedos de playground. “Esse clima absurdo e divertido dos desenhos chama a atenção da molecada e faz eles se identificarem. Com a peça queremos então sensibilizar aqueles que já têm animais e aqueles que estão pensando em ter um”, reflete a atriz Elizabeth Oliveira. Já o ator Luann Oliveira espera que os pais também se conscientizem: “Muitas crianças acham que um animal é como um brinquedo que pode ser jogado fora. Mas os pais têm uma grande culpa em permitir isso”.
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SERVIÇO
Espetáculo: Dito e Feito
Grupo: Companhia do Intérprete (PR)
Direção: Elderson Melo
Datas e horários: Estreia no dia 2 de setembro (domingo), às 17h. De 3/9 a 6/9; de 10/9 a 14/9; e em 17/9 haverá sessões às 10h e às 15h.
Local: Teatro Leopoldo Scherner da PUC-PR, Campus São José dos Pinhais. Rodovia BR 376, km 14, Costeira.
Ingressos: Entrada gratuita e aberta ao público em geral na estreia. Demais apresentações restritas às escolas de São José dos Pinhais.

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27 de mar. de 2012

Retrato da vida mambembe
Espetáculo de rua Companhia Frazão estreia no Fringe com um retrato irreverente da vida dos atores itinerantes. Montagem do grupo paraense Cia. do Intérprete explora o uso de esquetes musicais nessa adaptação da comédia O Mambembe, de Arthur Azevedo

Fotos de Vanessa Vzorek/ Texto de Franco Fuchs

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Peleja contínua, a vida dos grupos mambembes não mudou nada desde que o ator grego Téspis, no século VI a.C., pôs pela primeira vez uma máscara e saiu com sua carroça fazendo teatro. Sempre na estrada, em busca de comida, pouso e espaço para se apresentar, eis também a realidade dos personagens de Companhia Frazão, espetáculo de rua que estreia na mostra Fringe, do Festival de Curitiba, no dia 6 de abril, às 13h, na Praça Santos Andrade. A peça fica em cartaz também no dia 7 às 15h, e no dia 8, às 15h e 17h, no mesmo local, com entrada gratuita.

A montagem do grupo paranaense Companhia do Intérprete é uma adaptação da comédia O Mambembe, de Arthur Azevedo (1855 - 1908). Considerada uma das principais obras do dramaturgo maranhense, o Mambembe fez sucesso especialmente com uma montagem dirigida por Giani Ratto (1916-2005) em 1959, que trazia no elenco atores como Fernanda Montenegro e Sérgio Britto (1923-2011). “O texto de Arthur de Azevedo foi escrito em 1904, e é impressionante como continua atual. Ao contar a história de uma companhia mambembe que luta para sobreviver, a peça mostra como ainda é muito difícil a situação de quem faz teatro no Brasil”, diz o ator e diretor Elderson Melo.

Adaptação para a rua
Responsável também pela adaptação da peça, Elderson transformou um enredo longo, repleto de quiproquós, numa história mais direta, porém não menos engraçada. “O texto original tem três atos e 12 quadros, e prevê papeis para nada menos do que 70 atores! Então tive que enxugar tudo isso para que quatro atores dessem conta de seis papeis, em um único ato.” Nesse recorte, Elderson manteve o que considerou os pontos chaves da peça: a chegada da Companhia Frazão na cidadezinha de Tocos e a relação do casal de enamorados Laudelina (interpretada por Fernanda Fuchs) e Eduardo (Elderson). Os dois, assim como os personagens Esmeraldina, Pantaleão (ambos interpretados por Helder Miranda), Frazão e Capitão (interpretados por Heidy Mayumi) possuem características de figuras da Comedia dell’ Arte, estilo teatral originado na Itália, marcado pelo uso de máscaras e da improvisação.

Musical irreverente

Outro destaque da peça é o grande número de cenas musicais, que mesclam diversos ritmos. Há desde sambas a uma ária extraída da Flauta Mágica de Mozart, passando pela folclórica La Bella Polenta, que embala uma verdadeira “dança da fome”, muito apropriada para ilustrar a realidade do ator brasileiro. “A peça é bem para cima e a música não podia fugir disso. Então queremos que as pessoas cantem, dancem, batam os pés e interajam com a gente!”, destaca o músico Daniel D’Alessandro, responsável pelos arranjos e pela trilha sonora ao vivo.

Entre uma música e outra e muita interação com o público, questões sérias sobre o cotidiano e o comportamento dos artistas são abordadas “de uma maneira leve e despretensiosa”, ressalta atriz Heidy Mayumi. “A nossa vontade era fazer uma montagem divertida e que, por ser de rua, atraísse um público bem variado”, completa o ator Helder Miranda.

Para a atriz Fernanda Fuchs, os artistas que assistirem ao espetáculo têm grandes chances de se identificar com a companhia retratada. “Se for parar pra pensar, a história da Companhia Frazão é parecida com a do nosso grupo. Nós também lutamos para conseguir patrocínios, também lidamos com políticos, então é como se ríssemos da nossa desgraça. Chorar não dá!”, brinca a atriz.

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SERVIÇO
Espetáculo
: Companhia Frazão, baseado em O Mambembe, de Arthur Azevedo
Grupo: Companhia do Intérprete (PR)
Direção: Elderson Melo e Hermisson Nogueira
Datas e horários no Festival de Curitiba: 6 de abril às 13h; 7 de abril às 15h; 8 de abril às 15h e 17h
Local: Praça Santos Andrade

Ingressos: Entrada gratuita

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Sobre a Companhia do Intérprete

Fundada em 2011, a Companhia do Intérprete reúne jovens atores e professores de teatro formados pela Faculdade de Artes do Paraná. Seus integrantes desenvolvem pesquisas voltadas especialmente para o campo da comicidade.

Sobre o dramaturgo Arthur Azevedo
Um dos maiores comediógrafos brasileiros, o maranhense Arthur de Azevedo (1855 - 1908) escreveu uma centena de peças. Entre as mais conhecidas estão A Capital Federal, Amor por Anexins e O Mambembe. Também foi jornalista e poeta, membro da Academia Brasileira de Letras.

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