16 de abr. de 2012



IRAY GALRÃO é escritora, educadora, estudiosa da cultura africana e, sobretudo, uma mulher muito simpática e inteligente. Conheça um pouco mais sobre ela nesse perfil, publicado no jornal CORREIO, e que recebeu o 2º lugar do Prêmio Mario Pedrosa de jornalismo, concedido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)

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19 de fev. de 2011

Perfis)))
Confira alguns perfis de figuras importantes para a cultura baiana, publicados no jornal CORREIO*.

Um perfil de Gal, aquela, do saudoso beco na Vasco da Gama, figura imortalizada também na Melô do Chaco...



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Perfil do grande mestre Lourimbau, quando ele lançou seu primeiro disco, A Arte de Mestre Lourimbau. Em 2010, esse disco, junto com Sinfonia de Arame, de Dinho Nascimento e Capoeira de Besouro, de Paulo César Pinheiro, tocou muito aqui em casa. Os três continuam tocando em 2011.

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8 de ago. de 2008

Perfil)))
“Até meus 50 anos eu quero dançar break”
João Anselmo Moreira dos Santos, o “Aranha”, conta um pouco de sua história e da história do break em Curitiba
Foto: Franco Fuchs

Aranha: B-boy da velha escola

João Anselmo Moreira dos Santos, mais conhecido como “Aranha”, foi um dos primeiros b-boys e black powers da cidade no início dos anos 80. Mais de duas décadas se passaram e ele continua fiel as suas raízes. Dos pés (que ainda calçam um par de adidas cano alto) à cabeça (com sua indefectível cabeleira black).

João conta que a sua relação com o movimento hip hop começou em 1983, quando ele, que é parnanguara, veio morar em Curitiba após brigar com a sua madrasta. Na capital, como também não se acertou na casa de sua irmã mais velha, a única opção que lhe restou foi morar nas ruas. Tinha apenas 11 anos de idade.

Perambulando sem destino por aí (nessa época sobrevivia oferecendo pequenos trabalhos de casa em casa, muitas vezes em troca de comida), João conheceu alguns moleques que já dançavam break, como Vilmar, “Carioca”, “Celião” e Eddy. João não sabia dançar, mas queria andar com aqueles garotos. Acabou sendo acolhido por eles e logo estava dançando com esse grupo de b-boys diante do recém inaugurado Shopping Itália.

Por que dançar especificamente ali? João responde: “Além do piso ser bom para dançar, ali era o centro de tudo e havia um clima gringo no ar. Era a nossa Nova York”.

Já um b-boy formado, João ganharia o apelido de Aranha depois que tatuou um aracnídeo no braço, e também porque transformou o movimento de break conhecido como “aranha” (em que o dançarino coloca as pernas sobre os ombros) em sua marca registrada.

Estilo brasileiro
Quando o movimento hip hop estava apenas começando em Curitiba e muitos imaginavam que aquilo seria apenas uma moda passageira, João lembra que às vezes pensava: “Um dia essa minha loucura ainda vai ser a de várias pessoas”.

Estava certo. Em pleno século XXI, a cultura das ruas continua atraindo mais e mais jovens da periferia e até de classes mais abastadas. “Os filhos de papai hoje ouvem rap, escutam Racionais… Agora o que é do povo é nosso, eles pensam. Mas não é não”, diz João, indignado com uma banalização que assolou o hip hop.

João também não poupa críticas inclusive a uma parcela de b-boys que praticam o break atualmente. “Eu vejo esse break como uma dança estranha. Antigamente não tinha tanto esse lance de se jogar no chão, de dar cambalhota… São poucos hoje os que dançam realmente em cima [em pé]. Perdeu-se uma essência”, reclama.

Mas independente de todas as mudanças, João, aos 36 anos, faz questão de continuar dançando. “Até os meus 50 eu quero dançar break!”. E do seu jeito: “Não sou xerox de gringo nenhum. Meu estilo é bem brasileiro”.

Comemorando 25 anos de carreira em 2008, tendo participado de grupos como o West Side Breakers, Itália Força Break e Twister Rock Style, e dançado em shows do Sabotagem, Marcelo D2 e Art Popular, João diz que se sente realizado como b-boy, ainda que o break não traga o retorno financeiro que ele merece. Seu maior retorno é mesmo quando as pessoas o reconhecem e elogiam a sua dança.

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