10 de dez. de 2012


PRAZER VOADOR
Há quem diga que elas servem para polinizar. Mas isso qualquer abelha operária faz melhor. Então, para quem ainda não sabe, vale informar: a função primordial das borboletas é oferecer prazer. Visual. Existencial. Como fazem as "Borboletas da Estação" cantadas e plasmadas em vídeo pelo MORDIDA. Prazer que bate asas por retinas e tímpanos, trazendo espanto. Epifania. Sorrisos. Afinal, é um legítimo "inutensílio" voador que se apresenta, como a poesia ou um gol do Zico, nas palavras do caçador-mor de lepidópteros Paulo Leminski. Aliás, repare: até o poeta xará do Nadal mete seu bigode nesse clipe cheio de camadas multicores, dirigido por Marcus Bonato.

(Para reler a matéria sobre o MORDIDA, publicada na revista Cartaz, clica nesse link 
http://francofonia.blogspot.com.br/2009_12_01_archive.html) 

Marcadores: , ,

9 de mar. de 2011

Carnaval)))

MUITAS

FE-LI-CI-DA-DES

E MUITOS

BEIJOS

NA BOCA

Que Parabéns pra Você, que nada. Eu estava lá em cima do trio e vi. Ao completar 82 anos ontem, em pleno dia das mulheres, a apresentadora Hebe Camargo se empolgou mesmo ao cantar o hit Beijar na Boca, ao lado de Claudia Leitte, diante de uma multidão que assistia ao desfile carnavalesco das duas no circuito Barra-Ondina.

Vestida com um figurino semelhante ao de Claudia, num traje inspirado na planta helicônia, Hebe cantou, dançou, mandou muitos beijinhos e até tascou selinhos, tanto em Claudia quanto no repórter Vesgo, que também estava no trio.

“A primeira vez a gente nunca esquece. Esse é o mais lindo Carnaval do mundo. Viva a Bahia!,” disse Hebe, sobre a sua primeira experiência no Carnaval baiano. “Gente, e olha que ela desfilou nessa madrugada na Beija-Flor, lá no Rio!”, destacou Claudia Leitte. “Hebe, aqui é sua casa!”, completou a cantora, cujo rebolado deixava Hebe com um olhar surpreso e travesso.

Com energia de adolescente, a apresentadora permaneceu por mais da metade do percurso no maior pique, quase sem descansar na poltrona confeccionada especialmente para a rainha da televisão brasileira. “Eu quero muito mais!”, puxava ela o refrão da música Famosa, de Claudia, com muita propriedade.

Tudo isso para o encanto de foliões como a professora paulistana Mônica Bertanello, 43. “A Hebe é uma inspiração, ela mostra como alegria não tem idade”. “Esse encontro do novo com o maduro só acontece na Bahia! É fantástico ver a Hebe aí, depois de tudo que ela passou”, lembrou a empresária Luana Arbex, 29, referindo-se à vitória de Hebe contra um câncer, no ano passado.

Encontros

No percurso, Hebe fez questão de elogiar as cantoras Ivete Sangalo e Daniela Mercury, recebendo ainda um Parabéns pra Você coletivo, em ritmo de axé, diante do camarote de Daniela. Em seguida, a própria Hebe emendou a clássica Como é Grande o Meu amor por Você, do Roberto Carlos, mostrando o seu talento como cantora e a sua paixão pelo Rei, que foi homenageado pela Beija-Flor de Nilópolis no Rio.

E depois de dançar Tchubirabirom e Liga da Justiça – recebendo uma camiseta do Superman do grupo LevaNóiz -, Hebe se emocionou ao cantar a música Palco, com Claudia e Gilberto Gil, que surgiu no camarote 2222.

Depois disso, foi a vez de Margareth Menezes se juntar a Claudia, Hebe e Gil, ao som de Faraó, do Olodum, num momento de arrepiar.

Reconhecimento

Hebe ainda recebeu um troféu de Dama do Rádio ao passar pelo camarote da Itapoan FM, ao que Claudia levou um prêmio como Destaque do Carnaval. “Esse troféu vai ficar na minha sala de visitas, pra todo mundo ver como a gente é recebida na Bahia”.

Mas um dos maiores presentes para a apresentadora foi dar um abraço no filho Marcelo Camargo, 45, no meio da festa. “Esse encontro com a Claudia é maravilhoso pra minha mãe. Ela comemora a vida, e essa festa é um retrato da vida. Por isso não havia lugar melhor para ela vir, ela tinha que estar aqui!”, resumiu.

Marcadores: , , , ,

19 de fev. de 2011

Artes Visuais)))

Seleta de reportagens sobre artes visuais publicadas no jornal CORREIO*




O paraíso para os artistas existe. E fica na Ilha de Itaparica. Chama-se Instituto Sacatar. Entenda só na matéria.



Matéria sobre a Residência Universitária da Ufba, no Corredor da Vítória, onde já moraram diversos artistas conhecidos como Joãozito e Baldomiro Costa. Reportagem mostra quem são os jovens artistas que moram lá hoje, como os artistas plásticos Fernando Bernardes e Cenildo Silva e o diretor teatral Eduardo Machado.

Marcadores: , , , , ,

15 de fev. de 2011

TEATRO)))Uma seleção de reportagens sobre teatro que saíram no jornal CORREIO*:


Perfil de Zé Celso, em turnê com o projeto Dionisíacas em viagem.






Reportagem sobre a peça Pólvora e Poesia, dirigida por Fernando Guerreiro.

Perfil de Márcio Meirelles.

Marcadores: , , ,

24 de mar. de 2010

Teatro)))
Ariane Mnouchkine, no Vila
Inédito no Brasil, novo documentário sobre Ariane Mnouchkine e seu Théâtre du Soleil estreou na terça-feira, em Salvador, no Teatro Vila Velha


Ariane Mnouchkine l'aventure du Théâtre du Soleil (2009)

Ariane Mnouchkine passando um sabão num ator cambojano que se recusa a aprender a ler... Ariane mandando atores afegãos vestirem burcas para experimentar como é bom ser uma mulher no Afeganistão... Ariane a revelar, na China, que suas forças podem acabar, mas que o Théâtre du Soleil continua mesmo sem ela...

Cenas como essas, retratando uma das mais importantes encenadoras do teatro contemporâneo, hoje com 71 anos, foram vistas na terça-feira (23) no Teatro Vila Velha. Inédito no Brasil, o documentário Ariane Mnouchkine l'aventure du Théâtre du Soleil (2009), dirigido por Catherine Vilpoux, estreou em Salvador para um público de aproximadamente 30 pessoas.

Apesar de não ser um documentário muito aprofundado, em 75 minutos ele apresenta um bom panorama sobre a trajetória de Ariane e sua companhia. E quem esteve presente no Cabaré Café pôde conhecer ainda um pouco mais sobre o universo do lendário grupo francês em um bate-papo com a jornalista, pesquisadora e produtora teatral Deolinda Vilhena.

Estudando o Théâtre du Soleil há uma década, Deolinda tinha histórias de sobra para contar. Ainda mais que conviveu com a trupe de Ariane por cinco anos, em Paris, para apresentar, em 2007, uma tese de doutorado na Sorbonne sobre os modos de produção do Soleil.

Importância
“O teatro francês pode ser dividido em antes e depois de 1789 [peça sobre a Revolução Francesa, apresentada em 1970]”. Com essa afirmação sobre um dos mais celebrados espetáculos do Théâtre du Soleil, Deolinda não esconde a sua paixão pelo grupo. “É nesse tipo de teatro que eu acredito.” Independente de as pessoas gostarem ou não dos espetáculos dirigidos por Ariane – como uma senhora na platéia, que disse não achar nada demais neles –, Deolinda afirma que o posicionamento ético da diretora é exemplar. “Pode-se discutir uma porção de escolhas que ela faz, mas é fato: há 46 anos Ariane se mantém fiel a seus ideais, mostrando que é possível fazer teatro de um outro jeito.”


E para quem também é fã de Ariane, Deolinda traz boas notícias. De acordo com ela, há uma grande chance de o Théâtre du Soleil vir ao Brasil em 2011, com o novo espetáculo Les Naufragés du Fol Espoir. Seria a segunda visita ao país, depois da apresentação de Les Éphémèrs em São Paulo e Porto Alegre, em 2007.

Algumas curiosidades sobre o Théâtre du Soleil

Controle total
Segundo Deolinda Vilhena, Ariane Mnouchkine supervisiona absolutamente tudo na Cartoucherie de Vincennes, sede do Théâtre du Soleil, em Paris. "Ela recebe o público na entrada do teatro, certifica-se de que a comida servida antes da peça está boa e, se algo sair errado, seja na apresentação ou na recepção das pessoas, ela faz questão de devolver o dinheiro dos espectadores na mesma hora."

Turnês
O Théâtre du Soleil só deixa Paris se conseguir levar toda a estrutura da Cartoucherie de Vincennes para outros países. Das arquibancadas à louça usada pela trupe, ou vai tudo com eles, ou nada feito.

Admissão
Para se candidatar a uma vaga no Théâtre du Soleil, o primeiro passo é escrever uma carta, apresentando um bom motivo para fazer parte do grupo. Currículos ou indicações pouco importam. O que vale é o bom motivo. A partir disso, uma multidão de pessoas pré-selecionadas são convidadas a participar de um workshop que funciona como um processo seletivo. “De 800 pessoas que fazem o teste, só umas 10 ficam”, conta Deolinda. “Lá o critério de seleção é o mais subjetivo do mundo. Conquistar a simpatia do grupo é um dos critérios mais importantes para se entrar no Soleil.” Segundo Deolina, na torre de babel da Cartoucherie, os brasileiros representam uma grande fatia de uma equipe de cerca de 80 pessoas, perdendo em número apenas para os italianos.

Subvenção e grana curta
O Théâtre du Soleil não aceita nenhum patrocínio de empresas privadas. “Ariane lembra assim ao Estado que ele tem a obrigação de investir na cultura”, aponta Deolinda. Entretanto, o Soleil tem apenas 30% de seus custos bancados pelo governo – recebendo uma subvenção de um milhão de euros por ano. Setenta por cento dos custos restantes é pago com a bilheteria dos espetáculos. “Por isso o Soleil depende do sucesso. Se uma peça não dá certo, quem assume o prejuízo são os próprios integrantes do grupo. Eles chegam a ficar sem receber o salário pleno deles, e entram numa espécie de seguro desemprego. ” Deolinda explica que, desde a fundação do grupo em 1964, todo mundo no Théâtre du Soleil recebe o mesmo salário, que é apenas 30% maior do que o salário mínimo francês.

Marcadores: , , , , , , ,

23 de mar. de 2010

Teatro)))
Um pesadelo de violência

Em Curitiba, estreia nesta quarta-feira (24) A Língua da Montanha, peça do dramaturgo inglês Harold Pinter, encenada pelo GRUTA

Baseada na obra do dramaturgo inglês Harold Pinter (1930-2008), vencedor do prêmio Nobel de Literatura e um dos principais nomes do teatro contemporâneo, estreia nesta quarta-feira (24) a peça A Língua da Montanha, encenada pelo Grupo de Teatro Amador (GRUTA) do Colégio Estadual do Paraná (CEP). “Off Festival de Curitiba”, a montagem fica em cartaz até sábado (27), no Salão Nobre do CEP, sempre às 20 horas. A entrada é gratuita.

Sem apresentar um enredo claro – com começo, meio e fim ou personagens bem definidos –, a peça aborda questões sobre dominação e violência, mostrando, por exemplo, o tratamento dado por soldados a mulheres e prisioneiros que falam uma língua proibida: a "língua da montanha".

Um esboço dessa obra foi escrito por Pinter em 1985, logo após ele ter visitado a Turquia, onde presenciou a repressão sofrida pelos Curdos naquele país. Finalizando a peça em 1988, o dramaturgo afirmou que ela não aludia exclusivamente à situação dos Curdos, mas sim a de todos os povos que já foram ou continuavam reprimidos.

Pioneira em Curitiba, a montagem do GRUTA tem a coordenação do diretor e ator Hermisson Nogueira, que como de praxe valoriza sobretudo o trabalho corporal de seus pupilos. Truques como fumaça, projeções ou figurinos especiais são dispensados. A participação de um coral regido pelo maestro Alvaro Naldony também contribui para instaurar no Salão Nobre do CEP uma atmosfera de pesadelo.

Marcadores: , , , , , ,

17 de mar. de 2010

Artes)))
A OUTRA FACE DO PAISAGISTA
Mais conhecido por seus projetos paisagísticos, Roberto Burle Marx (1909 - 1994) também foi um artista plástico de mão cheia. Na mostra que estréia hoje, na Caixa Cultural Salvador, é possível conferir litografias, gravuras em metal e desenhos do artista

A litografia Itaituba é uma das obras da mostra O Gravador Roberto Burle Marx-Atelier Ymagos

Considerado o inventor do jardim moderno brasileiro, o arquiteto Roberto Burle Marx (1909 - 1994) ainda é mais conhecido por seu trabalho como paisagista. São de sua autoria, por exemplo, os jardins do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro; do Eixo Monumental de Brasília; e do Centro Administrativo da Bahia, em Salvador. Poucos lembram, porém, como este paulistano - que passou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro - foi um artista múltiplo, atuando também como pintor, escultor, ceramista, tapeceiro e gravador.

É esta última faceta do artista que o público poderá conferir na exposição O gravador Roberto Burle Marx - atelier Ymagos, aberta para visitação gratuita a partir de quarta-feira, na Caixa Cultural Salvador. Inédita na cidade, a mostra reúne 84 obras produzidas por Burle Marx ao longo de nove anos no atelier paulistano Ymagos. “Em São Paulo e Brasília, por onde passou anteriormente, a exposição fez bastante sucesso por mostrar um lado do Burle Marx que muitos desconheciam”, conta o curador da exposição Sérgio Pizoli.

Ele esclarece que a maioria das peças que serão vistas na Caixa Cultural até o dia abril são feitas em litografia - técnica em que o artista primeiro desenha em tons de preto sobre uma pedra porosa, e só aplica cores na hora de imprimir o desenho em papel -, mas há também gravuras em metal e desenhos em bico de pena.

Grande parte dos trabalhos são imagens abstratas, e apenas três são figurativas. “Como muitos artistas, Burle Marx começou fazendo imagens que representavam objetos ou lugares reais, mas aos poucos foi sentindo a necessidade de ultrapassar a realidade comum, avançando para o abstracionismo", explica Pizoli. Dos trabalhos figurativos, o visitantes irão encontrar apenas três litografias baseadas em paisagens florestais - “verdadeiras obras primas”, na opinião do curador.

Obra aberta
As demais obras da exposição são marcadas por um "abstracionismo lírico” - nas palavras de Pizoli -, em que formas geométricas também apresentam traços figurativos. "Na litografia Luzes da Noite, por exemplo. É uma abstração. Mas você realmente tem uma visão de uma paisagem noturna. Na verdade, o bacana desses trabalhos é que são obras abertas, e no fim cada um vai enxergar uma coisa diferente, de acordo com a sua vivência."

Pizoli ressalta ainda que há obras presentes na mostra que guardam semelhança até mesmo com projetos de jardins de Burle Marx. "É como se tivéssemos plantas baixas, isto é, visões aéreas daquelas paisagens que ele projetava."

Cores e tons
O intenso jogo de cores é outra das principais marcas da mostra. "Utilizando uma técnica difícil como a litografia, é impressionante como ele extraía uma infinidade de efeitos visuais. Quem for à exposição verá então uma grande trama de cores e tons", adianta Patrícia Motta, uma das proprietárias do atelier Ymagos, e que inclusive conviveu com Burle Marx ao longo dos anos 80.

Energia de garoto
“Burle Marx transformava o nosso atelier em uma festa”, lembra Patrícia. “Ele estava sempre cantando, era amigo de todos os impressores e trazia flores exóticas do Rio de Janeiro, só para decorar o ambiente", diz ela, que destaca ainda a inteligência e vitalidade do artista. "Na última fase da vida dele, com mais de 80 anos, ele trabalhava com a energia de um garoto. E ainda fazia expedições com os amigos, para colher plantas e levar mudas para o seu sítio no Rio de Janeiro.”

A paixão pela natureza, que se veria refletida na maioria das obras de Roberto Burle Marx, surgiu cedo na vida do artista e paisagista. Quando criança, foi com a mãe Cecília Burle, uma pernambucana de origem francesa, que Roberto aprendeu a gostar da flora brasileira, acompanhando Cecília no cultivo dos jardins de casa.

Ecologista

Durante o período em que morou com a família na Alemanha - país de origem de seu pai Wilhelm Marx -, entre 1928 e 1929, o interesse pela botânica se intensificou ainda mais. “Foi visitando um jardim botânico na Alemanha, que continha vários exemplares da vegetação brasileira, que ele se descobriu como paisagista e como pesquisador da botânica", diz Sérgio Pizoli.

Daí em diante, esta área da biologia seria alvo constante de seus estudos ao longo da vida - a ponto de Burle Marx descobrir e batizar novas espécies de plantas, como Anthurium burle-marxii e a Begonia burle-marxii.

De acordo com o curador Sérgio Pizoli, graças à paixão pela natureza, Burle Marx se colocou como um dos primeiros artistas brasileiros a levantar sua voz e erigir uma obra contra a devastação do meio ambiente. "Onde está o homem está a destruição", chegou a escrever ele em uma carta de protesto contra a devastação da Amazônia em 1983.

A força exuberante do "verde" propagada por Burle Marx em seus projetos viraria até motivo de brincadeiras do escritor Nelson Rodrigues, que reclamava do "verde obsessivo, apavorante, alucinatório", do paisagista. "Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm grama e não flores. Mas, para que grama, se não somos cabras?", galhofava Nelson.

Modernismo
Ao lado de arquitetos como Lúcio Costa (1902-1998) e Oscar Niemeyer (foi amigo de ambos, e inclusive estudou com Niemeyer na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro), Roberto Burle Marx também esteve à frente da arquitetura moderna no país.

Dentre seus principais feitos, criou o primeiro Parque Ecológico do Recife (em 1937), assim como foi responsável pelo projeto paisagístico do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1955) e do jardim do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (1953).

PROJETOS DE BURLE MARX EM SALVADOR

Projeto da praça Terreiro de Jesus, no Centro Histórico
Também em Salvador, Roberto Burle Marx desenvolveu diversos projetos paisagísticos entre as décadas de 50 e 80. Dentre os mais importantes estão o projeto da praça Terreiro de Jesus, diante da Catedral Basílica, no Centro Histórico, e os jardins do Centro Administrativo e da avenida Luís Viana Filho, mais conhecida como Paralela.

Quem informa é o arquiteto Haruyoshi Ono, que trabalhou com Burle Marx por quase 30 anos. Ono diz que o escritório do paisagista também desenvolveu projetos para condomínios e hotéis da cidade, a exemplo do Othon Palace. Ele lamenta, porém, que a maioria dos projetos criados por Burle Marx esteja descaracterizada. "As estruturas dos espaços muitas vezes até permanecem, mas a vegetação original normalmente é alterada." Segundo Ono, a situação se repete em muitas outras cidades. "Até mesmo no Rio, onde Burle Marx passou a maior parte da vida, os projetos originais dele não são respeitados."


Publicado no jornal CORREIO em 16/03/10

Marcadores: , , , , ,

11 de mar. de 2010

Poesia)))
Geraldo Pereira, o "poeta pescador",
lança livros na capital baiana

Passando uma semana de férias em Salvador, o poeta Geraldo Pereira aproveita para lançar na capital baiana dois livros: o infantil A Formiguinha Ledora, e a coletânea de poemas em homenagem a poetas goianos intitulada Pescando Versos Graúdos em Terras Goianas. O lançamento acontece nessa quinta-feira (11), às 15 horas, na biblioteca central da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Ondina.

Para quem não conhece este autor nascido em Correntina, na Bahia, e radicado em Goiânia, vale dizer que os nomes dos livros lançados já dizem muito sobre a sua temática dominante. A metalinguagem e a intertextualidade são marcas constantes de Pereira, que se posiciona, em seus versos livres, como um "pescador de poetas e poemas".

Marcadores: , , , ,

7 de mar. de 2010

Luiz Caldas)))
Deboches e fricotes do lado de fora do TCA

Na manhã de domingo, faltaram poltronas no Teatro Castro Alves para acomodar toda a legião de fãs de Luiz Caldas. Tietes que ficaram de fora do show protestaram com bom humor

Enquanto do lado de dentro do Teatro Castro Alves (TCA) o músico Luiz Caldas mostrava a sua versatilidade, no show “Toda Música de Luiz Caldas”, mesclando música erudita, rock e axé, do lado de fora do teatro o público que não conseguiu entrar no recinto mostrava toda a sua indignação.

Por volta das 10h30 de domingo, com o fim dos ingressos (que custavam R$ 1, dentro do projeto Domingo no TCA), os portões do teatro foram fechados – meia hora antes de o show começar. “Eu vou quebrar a cara do sujeito que trabalha aí e que disse que ainda haveria ingresso às dez horas”, bradava, diante do portão, um homem exaltado, que tentava negociar com uma atendente a sua entrada no teatro. “Vim aqui às 9 horas e não me deixaram pegar o ingresso e voltar para casa para tomar um banho. E agora quando eu volto não tem mais como comprar”, explicava. Segundo os atendentes do TCA, a prática de só vender ingressos para quem permanece dentro do teatro é adotada para impedir a ação de cambistas.

Bem menos raivosas, mas ainda sim bastante decepcionadas, estavam as irmãs Evanildes e Maria da Graça Silva. “Estamos frustradas. Foi meia hora de carro para chegar aqui e nada”, conta a pedagoga aposentada Maria da Graça, 60 anos. “Eu, minha irmã e minhas amigas somos todas fã antigas, do tempo de dançar o ti, ti, ti [diz ela, fazendo os passos de dança]. E do tempo em que o Luiz não gostava de andar de sapato”, lembra a enfermeira aposentada, Evanildes, 64. “Agora ele só anda calçado. Coitado, também ficou velho, juntou calo, não aguenta mais as agruras do solo”, brinca a enfermeira. “Se bem que, para a idade, ele ainda está bem sexy. Ainda dá algum caldo”, opina Maria da Graça.

Corpo a corpo com os seguranças
“Pega ela aí... Pra quê? Pra passar batom... Que cor?...” Na entrada lateral do TCA, batendo palmas, cantando e dançando, outras fãs tentavam persuadir os seguranças, para que eles liberassem a entrada. Na linha de frente, puxando o protesto, as “luiz caldetes” Margareth Lunna e Maria Lúcia se destacavam literalmente no maior “deboche” (nome como também era conhecido o estilo de música de Caldas). “Olha, sou empresária da costura, poderosa, estou solteira... Deixa eu entrar, segurança!”, dizia Maria, de 59 anos, que chegou ao TCA após as 10h30. “E pensar que fui vizinha do Luiz, em Vitória da Conquista. Meu irmão José Bonfim era amigão dele, e eu não posso ver o show”, contava ela, triste.

“Eu bem que poderia dar um carteiraço para entrar aqui, mas preferi apenas protestar”, disse a artista plástica Margareth, de 46 anos, indignada. “Poxa, sou artista reconhecida na Itália, meu ex-marido já tocou percussão com o Luiz, e eu ainda vim vestida especialmente para o show!”, argumentava, mostrando a sua saia “fricote”, tirada do fundo do baú. “Essa saia eu usava nos antigos shows dele. Deve ter uns 24 anos. E veja só, ainda cabe direitinho!”, contava, requebrando em frente ao TCA.

Meia hora depois de o show ter começado, os gritos de “Luiz Caldas, cadê você, eu vim aqui só pra te ver”, emitidos por Margareth e demais fãs ainda ecoavam perdidos pelo Campo Grande. Mas em vão. A organização do TCA se manteve irredutível em sua resolução de não colocar nenhuma pessoa no teatro além do número de poltronas disponíveis.

Já quem chegou cedo e pôde conferir o artista não teve do que reclamar. “Showzaço”, “maravilhoso” e “muito bom” foram alguns dos adjetivos ouvidos pela reportagem sobre a apresentação.

***

Luiz Caldas, meu parente



Em Curitiba, já perdi a conta das vezes em que ouvi esta pergunta: “E esse sobrenome Caldas? Você é parente do Luiz Caldas? Aquele da Tieta... que dançava descalço...?” Mesmo duvidando muito dessa possibilidade, sempre gostei de responder com um absoluto “sim”. Ainda mais que meu bisavô Aristides Caldas era baiano...

Pois bem. Para acabar de vez com esse dilema, levei a questão à pessoa certa. No fim do show de Luiz Caldas, lá estou eu, no camarim do Teatro Castro Alves, aguardando a minha vez para trocar uma ideia com ele. O acesso ao camarim, vale dizer, foi graças à Margareth Lunna, que literalmente me empurrou para dentro do teatro ao fim da apresentação, e graças à compositora
Juliana Ribeiro, que conhece o Luiz e também estava por lá.

Depois de uns vinte minutos de espera, chega a hora de eu conhecer pessoalmente o “pai da axé music”, que daquele visual antigo, de quando cantava “Tieta” ou “Fricote” nos anos 80, hoje, não carregada quase nada. Com um piercing no nariz, e todo vestido de preto – do all star, passando pela calça jeans, a camiseta e as unhas – o estilo de Luiz é o de
um roqueiro moderno. E é esse sujeito completamente repaginado que me recebe com um caloroso aperto de mão.

Em poucos minutos então resumo para ele o meu dilema: “Sou jornalista, de Curitiba, e lá todo mundo me pergunta se somos parentes. O que você acha?” Ao que ele responde, rindo: “Ora, quem sabe?
O ramo da família é muito grande. Por que não?”, diz Luiz, que depois pacientemente ainda dá um autógrafo ao “Franco Caldas, amigo e parente!” – palavras dele.

Publicado no Jornal TiraGosto em 09/03/10

Marcadores: , , , , ,

4 de dez. de 2009

CULTURA
Nova edição da Cartaz está nas bancas



Com uma bela e extensa reportagem de capa sobre Cristovão Tezza, finalmente saiu a nova revista Cartaz (R$ 9, 90), uma publicação de cultura muito bacana, editada em Florianópolis e que reúne colaboradores do Brasil todo.

Nesta edição n. 30, fui um desses colaboradores, com uma reportagem sobre o Mordida.

Quem quiser adquirir a revista pelo correio pode entrar em contato com a editora Empreendedor
.

A seguir, o texto sobre o Mordida, uma das melhores bandas de rock do país.




Uma montanha-russa chamada Mordida
Banda curitibana Mordida faz um rock criativo e empolgante. Na ativa desde 2003 e com seis EPs lançados, grupo prepara agora o seu primeiro long play

Por Franco Caldas Fuchs – Curitiba

Se o rock fosse um parque de diversões, enquanto algumas bandas seriam monótonos carrosséis ou rodas-gigantes, a banda curitibana Mordida seria uma montanha-russa, por conta dos percursos inusitados que trilha e pela força do seu som.

Tirando por base canções como “Sofá Psicobélico”, “Pro Inferno Ninguém” e “Tapete Molhado”, é possível dizer que um passeio típico “de Mordida” se inicia com uma bateria vigorosa e acelerada, somada a riffs instigantes de guitarra, acompanhada de teclado. À medida que avança, letras imprevisíveis, bem humoradas e cantadas em português vão surgindo, assim como insuspeitos mergulhos instrumentais. Uma viagem dessas dura em média três minutos, tempo suficiente para deixar o público dançando, cantando e pedindo bis.

Formado por Paulo Hde Nadal no vocal e guitarra, Ivan Rodrigues na bateria, Marcelo Stammer no baixo* e mais artistas convidados que assumem guitarras e teclados adicionais, o Mordida faz um dos shows mais afiados e empolgantes de Curitiba, atraindo um número crescente de fãs a cada apresentação.

(*Até o fechamento da edição da revista - maio de 2009! - a formação da banda era essa. Hoje mudou um pouco.)

O cara e a cara do Mordida

O conceito e as composições partem dele: Paulo Hde Nadal, o frontman do Mordida que, com um estilão new wave à la Evandro Mesquita, dá o tom descontraído da banda. Fora do palco, porém, Paulo revela-se um sujeito contido e nada falastrão. Pelo menos assim estava, quando falou à revista Cartaz sobre a sua trajetória até a criação do Mordida.
Porto-alegrense nascido em 1974, Nadal passou a adolescência em Chapecó, onde tocou por um bom tempo com a lendária banda Repolho, fundada pelos irmãos Panarotto. “Foi o primeiro grupo que eu participei, que teve uma continuidade e uma proposta”, diz ele. “Era uma banda divertida e ultraperformática. Tocávamos fantasiados de coisas absurdas.”

Em 1993, feito um “kamikaze em busca de aventura”, como canta na música “Garotos do Interior” (presente no Trama Singles, do Mordida), Paulo foi pela primeira vez a Curitiba. Na capital paranaense, com os amigos Marcelo e Eric, logo formou a Emílio & Mauro, uma banda de estilo brega/jovem guarda.
Incompreendida na época e extinta em menos de um ano, a banda se revelaria “cult” tempos depois – em 2008, grupos como Graforréia Xilarmônica, Osmarmotta, The Feitos e o próprio Mordida gravaram um tributo a Emílio & Mauro, lançado pelo site brasiliense Senhor F.

Após mais uma volta a Chapecó, Nadal se mudaria definitivamente para Curitiba em 1999, dando seqüência a um curso de Artes Visuais na Faculdade de Artes do Paraná, e montando, com o parceiro Pedro Solak, uma banda experimental chamada Badulaque, muito influenciada pelo som de Tom Zé.

Sem rumo definido, mas com trabalho pela frente
Em 2003, já encerrado o Badulaque (que apesar da curta duração, entrou em uma coletânea promovida pelo Instituto Itaú Cultural em 2001), Paulo fundou o Mordida, estimulado pelo amigo Assanga José, que queria montar uma banda de rock. Daí em diante, diversos músicos entraram e saíram do grupo, mas Nadal se manteve sempre na dianteira do projeto.

Com seis EPs no currículo, sendo os dois últimos – Eu Amo Vc (2008) e Trama Singles (2008) – gravados de forma completamente caseira (low-fi, mas caprichados, vale destacar), Paulo agora se dedica às composições do primeiro long play do Mordida, trabalhando em cima desse material com os parceiros Ivan Rodrigues e Marcelo Stammer.
Sobre o novo disco, que deve ser lançado até o fim do ano, Paulo prefere não entrar em detalhes, mas garante que “novas sonoridades serão incorporadas”, o que de praxe se observa a cada álbum do grupo. Questionado se considera necessário ou não migrar com a banda para São Paulo, a fim de obter uma exposição nacional maior, Paulo não descarta a possibilidade, mas diz que não é preciso idealizar um caminho como esse. “Sou entusiasta da internet, um meio democrático que nos dá voz e nos permite levar a nossa música a várias pessoas, independente de estarmos ali ou acolá.”

Para Nadal, importante é que o Mordida continue tocando e consolidando o seu espaço. “Quem busca desenvolver uma carreira sabe que o único caminho para isso é trabalhando muito. E trabalho nós temos.” De resto, é “seguir a trilha sem rumo de um infinito universo paralelo”, diz ele, citando uma frase do músico e chapa porto-alegrense Marcelo Birck.

Discografia
Mordida (2005)
Ao Vivo na Grande Garagem que Grava (2005)
Tokyo (2007)
Festa Jovem (2007)
Eu Amo Vc (2008)
Trama Singles (2008)
Ouça músicas e assista a clipes do Mordida
www.mordida.art.br www.tramavirtual.com.br/mordida www.myspace.com/mordidarock

*
Tão só no carango o moço bom
No dinossauro móvel com a fama de mau
Dirige firme o papo em disparada
De mansinho ele manda pro inferno
De mansinho ele manda pro inferno
Pro inferno
Trecho de Pro Inferno Ninguém
*
Me perco na sua mente colorida
Que me amarra por ondas cerebrais
Eu fico tingindo as minhas roupas
Já que eu não posso tingir o meu astral
Trecho de Sofá Psicobélico
*
Meia de nylon
Tapete molhado
Foge da felicidade
O amor é porra louca
Agora em cápsula
O amor não acabou
Trecho de Tapete Molhado

Marcadores: , , ,

29 de nov. de 2009

Teatro
Língua da Montanha poderá ser ouvida novamente
Em 2010, Grupo de Teatro Amador (Gruta) do Colégio Estadual do Paraná pretende dar sequência à montagem de Língua da Montanha. Escrita pelo dramaturgo inglês Harold Pinter (1930-2008), a peça foi encenada pela primeira vez em Curitiba no início de novembro



Acabo de bater um papo com o diretor de teatro Hermison Nogueira e ele me diz que tem planos de continuar apresentando a Língua da Montanha (Mountain Language, 1988), de Harold Pinter, em alguns eventos e festivais no ano que vem.

Sorte do público se isso acontecer. Apresentada bem na semana do apagão, no início do mês (de 9 a 13 de novembro), em cinco sessões concorridas no salão nobre do Colégio Estadual do Paraná, essa ótima montagem foi vista, praticamente, apenas pelos alunos e a comunidade do colégio.


Caso seja apresentada mais vezes, a peça fugirá um pouco da triste sina que acompanha os trabalhos do Grupo de Teatro Amador (Gruta) do Colégio Estadual, coordenados por Nogueira desde 2006.


Todo início de ano o diretor pega um punhado de jovens inexperientes, mas cheios de vontade, e os transforma em verdadeiros atores, que dão um banho em vários profissionais por aí. O único porém é que, após desenvolver um treinamento de até nove meses – adotando preceitos e técnicas de mestres como Jerzy Grotowski, Eugênio Barba, Kazuo Ohno, Luis Otávio Burnier e Denise Stoklos –, Nogueira enfrenta uma grande dificuldade para promover um número amplo de apresentações e para manter o Gruta unido.

Como o grupo é amador, faltam verbas para locar espaços fora do colégio e é difícil conciliar o tempo dos atores, que são adolescentes em fase de transição. Logo após as apresentações de fim ano, muitos deixam o Gruta para estudar para o vestibular (alguns depois acabam indo para a Faculdade de Artes do Paraná) ou seguem outros caminhos.

Por tudo isso, a cada ano, Hermison precisa formar um grupo novo, e é impressionante como, apesar das mudanças de elenco, o alto nível das montagens se mantém, desde Aurora da Minha Vida (2007), de Naum Alves de Souza, passando por Atentados (2008), de Martin Crimp, e agora Língua da Montanha. (Se não comento sobre Aquele que diz sim e aquele que diz não, de Bertolt Brecht, montado pelo Gruta em 2006, é porque não a assisti à peça.)

Um pesadelo de violência.

Real, universal e atemporal


Em qualquer época e lugar do mundo, por quaisquer motivos, um grupo humano tenta subjugar outro. E dominar a cultura alheia, principalmente calando a sua língua, é uma das principais formas de exercer esse poder de dominação.

Dessa violência trata a peça de Harold Pinter, que mostra o brutal tratamento dado por soldados a mulheres e prisioneiros que falam uma língua proibida, a Língua da Montanha.

Um esboço da obra começou a ser escrito por Pinter em 1985, logo após ele ter visitado a Turquia, onde presenciou a repressão sofrida pelos Curdos naquele país. Finalizando a peça em 1988, Pinter afirmou que ela não aludia exclusivamente à situação dos Curdos, mas sim a de todos os povos que já foram ou continuavam sendo reprimidos.

Prevista pelo autor para ter uma duração de 25 minutos, aproximadamente, na montagem do Gruta a peça se expandiu para cerca de uma hora, decisão coerente com a habitual proposta do grupo de ir muito além das rubricas do texto.

E só dispondo de mais tempo para dar conta de toda uma movimentação complexa dos oito atores em cena. Fugindo de interpretações naturalistas, eles exploravam ao máximo os momentos de silêncio, as pausas e as transformações corporais, muita vezes em um ritmo extremamente lento. "O sofrimento é lento. E parte dessa lentidão tem a ver com algumas coisas que pesquisamos do Butoh", me disse Hermison.


A interação com mais de 20 membros do coral do Colégio Estadual e da Universidade Federal do Paraná, responsáveis por toda a trilha sonora da peça, também exigiu mais tempo. Detalhe importante: as músicas foram compostas especialmente pelo maestro Alvaro Naldony, em uma “língua da montanha” criada por ele.

Combinando um texto de muitas qualidades (apesar de não ser genial, a dramaturgia mexe, provoca e deixa o espectador encucado), com uma encenação ousada, liberta de clichês e truques (nada de fumaça, projeções, iluminação ou figurinos especiais...), o Gruta conseguiu, mais uma vez, despertar a atenção de sua crítica platéia no Colégio Estadual. Transformar, a cada noite, cerca de 100 adolescentes anárquicos e inquietos em espectadores silenciosos e perplexos é coisa de profissional. Mais gente precisa ver isso.

Marcadores: , , , , , ,

23 de nov. de 2009


Uma seleta de Economia

Eis aqui uma seleção de matérias, do período em que estive na editoria de Economia da Gazeta do Povo:

Sobre os desafios da produção de móveis artesanais em Campo Magro
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=939775&tit=Polo-moveleiro-a-espera-de-fortalecimento

Sobre a Harmônicas Hering, fábrica blumenauense de gaitas de boca
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=935062&tit=Notas-musicais-revividas

Sobre a expansão dos cursos tecnológicos
http://www.gazetadopovo.com.br/posgraduacao/conteudo.phtml?id=918252


Sobre pequenos empreendedores que iniciaram seus negócios com o auxílio da Central Fácil, do Sebrae
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=937699


Sobre o aumento do IPI cobrado na compra de automóveis, em novembro de 2009
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=939808&tit=IPI-sobe-mais-um-degrau

Sobre como as dívidas vão sugar o 13 salário dos brasileiros
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=942965&tit=Dividas-vao-sugar-13-salario

Sobre como a China mistura papéis de parceiro e vilão com o Brasil
http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=946840&tit=China-mistura-papeis-de-parceiro-e-vilao

Marcadores: , ,

28 de set. de 2009

A MENSAGEM NA GARRAFA
Foto: Bo Stridsberg

Conheça a história do engenheiro florestal sueco que, com seus “toka trekkos” (mini estufas confecionadas com garrafas PET), desperta a atenção dos curitibanos para a ecologia.

O perfil de Bo Stridsberg foi publicado na Gazeta do Povo e republicado nos jornais O Globo Online e Extra Online:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=926933

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/09/23/engenheiro-florestal-ensina-pelas-ruas-de-curitiba-como-reduzir-poluicao-dentro-de-casa-767735153.asp

http://extra.globo.com/pais/materias/2009/09/23/engenheiro-florestal-ensina-pelas-ruas-de-curitiba-como-reduzir-poluicao-dentro-de-casa-767735162.asp

Marcadores: , , , , , , ,

Vale-tudo)))
Leia a entrevista com o lutador de vale-tudo Wanderlei Silva. Em agosto, a Gazeta do Povo publicou em primeira mão a notícia de que ele esteve em Curitiba, fazendo uma cirurgia de reconstrução do nariz: http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/conteudo.phtml?id=913617

A ilustração acima é do grande Benett.

***

Especial)))
A MAÇONARIA DO APITO
Foto: Assessoria de Imprensa FPF

Vida de árbitro de futebol não é fácil, mas tem suas recompensas. Reunidos em um evento em Curitiba, juízes iniciantes e do quadro da Fifa revelaram os principais desafios e prazeres da carreira

Curitiba virou a capital da arbitragem de futebol entre os dias 12 e 14 de agosto, ao sediar, pela primeira vez, fora do eixo Rio - São Paulo, testes da Fifa para juízes e um curso de aprimoramento promovido pela CBF.

Se fosse com a outra “seleção” seria diferente, mas como não era a dos que jogam bola, e sim a dos que apitam o jogo, não houve furdunço de fãs e jornalistas diante do hotel em que se hospedaram os melhores árbitros do Brasil.
A maçonaria do apito ficou ainda mais completa no dia 14, quando houve também a abertura solene do Curso de Árbitros Profissionais da Federação Paranaense de Futebol (FPF). Assim, jovens árbitros iniciantes que fazem esse curso em Curitiba estiveram lado a lado de árbitros tarimbados.

Diante de quase 100 juízes reunidos no Hotel Master Express, este repórter aproveitou para fazer algumas investigações. Do tipo: o que leva esses indivíduos a enfrentar a fúria das torcidas e os demais percalços da carreira, que nem sequer é reconhecida oficialmente como profissão? Qual seria o grande prazer de se apitar um jogo? E é possível alguém nascer querendo ser árbitro?

Foto: Franco Fuchs

Jovens árbitros, alunos do curso da FPF.

O DESPERTAR DA VOCAÇÃO
Pelos relatos ouvidos, são poucos os que sonham em ser árbitros desde criancinha, tal como a Jassiara Simões, 23 anos, que faz o curso da FPF. No caso dela, como o pai é árbitro, ela conta que o acompanhava nos jogos desde os dois anos de idade, e achava tudo aquilo o máximo. Com o tempo, o interesse pela carreira só aumentou e aos 18 ela já apitava no futebol amador. Hoje seu maior sonho é ingressar na CBF e, quem sabe um dia, fazer parte da Fifa, feito conquistado pela árbitra Maria Eliza Correia, que também circulava pelo hotel.

De resto, a maioria descobre a vocação só ao longo do tempo. Muitos foram “projetos” de jogadores de futebol, que depois perceberam na arbitragem uma forma de finalmente serem bem sucedidos entre as quatro linhas, tal como relatam Carlos Eugênio Simon (“joguei bola até meus 19 anos”) e Roberto Braatz (“fui zagueiro até os 26”), ambos da Fifa.

Há ainda outras situações, como a de Evandro Rogério Roman, também da Fifa, que revela nunca ter tido a ilusão de ser jogador e nem pensava em ser árbitro quando jovem. De início, ele queria conhecer as regras de futebol a fundo para ir bem no seu curso de educação física - hoje ele é doutor na área, pela Unicamp. Mas após fazer cursos, apitar e passar em um teste para árbitro da CBF em 1995, resolveu apostar na carreira. “Sinto que a vida me levou nessa direção e eu abracei isso”, diz Roman.

PAIXÃO PELO FUTEBOL
Os motivos que levam as pessoas à arbitragem variam. Por outro lado não muda muito o perfil psicológico desses indivíduos, que normalmente têm características em comum. O espírito de liderança é uma delas. O árbitro é aquele que organizava os jogos da gurizada no bairro (feito o Rafael Vieira Martins, que faz o curso da FPF) ou era representante de turma na escola (o caso de Paulo César Oliveira, da Fifa).

O apreço pela disciplina é outro sinal marcante e não é à toa que existem árbitros ligados ao Exército (como o Marcos Souza, do curso da FPF) ou à Polícia (a exemplo de Djalma Beltrami, da CBF, Tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro).Mas entre outras características, a mais importante que os une é o respeito e paixão pelo futebol. “Claro que é sensacional ver a bola rolando. Dá vontade de meter o pé também”, diz Carlos Eugênio Simon, revelando que, por trás da postura fria do árbitro, existe um sujeito tão empolgado quanto os jogadores.

Mas como lembra Robert Gessner, 19 anos, do curso da FPF: “é preciso deixar essa emoção no subconsciente, senão você está frito com a torcida.” Simon, porém, não vê problema de cumprimentar um jogador que faz uma bela jogada. “Você pode fazer isso, desde que mantenha a linha. Eu cumprimentei o Robinho depois das pedaladas que ele deu no jogo contra o Corinthians, em 2002, que o Santos venceu”, lembra.

Mas um árbitro assumir que possui um time do coração ainda é um tabu no futebol. “O nosso time é segredo de estado. A única camisa que você passa a vestir é a da arbitragem”, diz Ricardo Marques, da Fifa. Ele também reconhece que, à medida que um árbitro se depara com os bastidores do esporte, ele perde as ilusões típicas dos torcedores fanáticos. “Você vê que o jogo é mais um negócio e às vezes isso te desanima, principalmente o comportamento de dirigentes que não honram a história dos clubes.”Ainda sobre a impossibilidade de o árbitro assumir publicamente o seu time, Roberto Braatz faz uma crítica. “Por que um jogador de futebol pode dizer que tem um time do coração e um árbitro não pode fazer o mesmo? Ambos são profissionais e sabem separar as coisas. Mas conosco não existe tolerância.”

Marcadores: , , , ,

Arbitragem)))
PROFISSÃO NÃO RECONHECIDA



Eles são professores, policiais, comerciantes, empresários... A maioria dos árbitros possui outra ocupação. Isso porque a arbitragem não é considerada oficialmente uma profissão e não proporciona renda fixa. (Eles recebem por jogo e a quantidade deles varia no mês. A escalação dos árbitros é feita por sorteio - algo que eles criticam, pois a escolha não favorece os melhores -, e eles ainda podem ficar suspensos caso cometam erros graves em partidas anteriores.)“A própria Fifa não nos aconselha a depender do dinheiro da arbitragem”, lembra Evandro Rogério Roman, que atua paralelamente no ensino de educação física. “Mas se não somos profissionais legalmente, a nossa postura é profissional”, garante Ricardo Marques, que termina um curso de direito e trabalha em um Fórum em Minas Gerais.

Cada um então se vira por conta própria, seja para se manter financeiramente e para estar bem treinado. Quem chega em um nível internacional, precisa fazer no mínimo duas horas e meia de exercícios diários, explica Roman, para manter o condicionamento físico. Em uma partida, relata Simon, um árbitro hoje corre entre 12 e 14 quilômetros - mais do que muitos jogadores. “Eu que tenho 43 anos, estou meio na capa da gaita, então tenho que treinar mais do que os jovens, porque ainda quero estar entre os melhores”, diz Simon.

Todos concordam igualmente que gravar os jogos apitados e estudá-los depois em casa, revendo erros e acertos, é outra prática essencial para o árbitro evoluir tecnicamente. Mas tão importante quanto ter toda essa aplicação, é fundamental para um árbitro contar com o apoio da família. “Senão ninguém aguenta a pressão. Os familiares são os únicos que permanecem contigo independente do que acontecer no jogo”, diz Roman.

O "GOL" DO ÁRBITRO
Para entrar em campo, diante milhões de espectadores na TV, milhares de torcedores no estádio e ainda comandar 22 marmanjos, o sujeito tem que ser “um pouco louco”, diz Roberto Braatz. “Tem que curtir muito esse desafio, porque todos são contra você. O sujeito não pode ser normal.”

O maior prazer do árbitro então é quando todo esse circo termina e ele percebe que saiu ileso. “Você tem uma espécie de orgasmo prolongado depois do jogo, quando sente que foi bem em campo e a comissão de arbitragem confirma isso fazendo uma boa avaliação sua”, diz Evandro Rogério Roman.

Apitar um lance difícil é também como fazer um “gol”. “Quando você aplica bem a lei da vantagem e sai um gol dessa jogada, é um prazer enorme”, confidencia Ricardo Marques.

Outra parte boa da carreira, segundo eles, é a vida cigana. “Já campeei esse mundo todo afora. A Fifa me proporcionou isso. Você conhece o planeta, através da arbitragem”, lembra Carlos Eugênio Simon, que em breve irá para o Egito, apitar no mundial sub 20, junto com o assistente Roberto Braatz.

O FUTURO DA ARBITRAGEM
Com a evolução da tecnologia, muito se discute se o futebol poderia adotar mais equipamentos de ponta que viessem melhorar o jogo e sua arbitragem. Mas diante de sugestões como a utilização de bolas com chips internos, que ajudariam os árbitros a marcar ou anular gols, eles mesmos são contra muitas inovações.Acertadamente, segundo eles, a Fifa já é uma entidade que não costuma alterar tanto o futebol, a fim de que o esporte se mantenha universal. “O uso de câmeras no auxílio da arbitragem, como acontece no futebol americano, por exemplo. É inviável, porque nem todos os lugares do mundo poderiam utilizar isso”, lembra Roberto Braatz.

Na opinião de Paulo César Oliveira, melhor do que se investir em tecnologia, é investir na capacitação do árbitro, que assim pode apitar melhor, sem precisar de apetrechos tecnológicos.Comentando sobre a situação atual da arbitragem brasileira, os árbitros entrevistados também parecem satisfeitos. “O arbitragem no Brasil está mais democrática. Temos bons árbitros de vários estados apitando e não ficamos mais restritos só aos dos grandes centros”, diz Roman.

Tanto Oliveira como Roman lembram que a fiscalização sobre a lisura da arbitragem também aumentou, depois do escândalo da “máfia do apito” em 2005, que revelou a manipulação de jogos feita por Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon. “Pelo bem da arbitragem brasileira esse processo criminal [no momento paralisado na justiça, e a um passo da impunidade] dos envolvidos não pode parar. Isso tudo ainda tem que ser esclarecido”, afirma Roman.

Marcadores: , , , ,

Perfil)))
O CAMINHO ATÉ O TOPO
Aconselhado pelo pai a desistir da carreira de goleiro, Ricardo Marques enveredou pelo caminho da arbitragem, até chegar este ano à elite da Fifa


"Entrar na Fifa é como, para um jogador, ser convocado para a seleção brasileira." Ricardo Marques, árbitro

Nos tempos de menino, em Belo Horizonte, ele sonhava em ser um goleiro profissional. Defendendo metas de times aqui e ali, o garoto comprido e magrelo então atingiu a glória de vestir a camisa número 1 do Vila Nova Atlético Clube. Tudo ia bem, até que um dia o seu pai lhe chamou de canto e disse a real: "Você até que é um bom goleiro. Mas está longe de ser excelente. Insistir na carreira assim é ilusão..."

A verdade, difícil de engolir, foi aceita pelo jovem de 16 anos. Ao mesmo tempo, um professor o incentivou a fazer um curso de árbitro. Afinal, quando o guri não estava debaixo da trave, ele organizava campeonatos e apitava jogos na escola. Levava jeito pra coisa. "E foi assim que comecei. Meio por acaso, mas logo me descobri na profissão", conta Ricardo Marques, 30 anos, o árbitro que apitou a final da última Copa do Brasil. Depois de fazer seu primeiro curso, ficou no futebol amador por cinco anos. "É ali que você enfrenta as maiores adversidades, o que te dá inteligência e coragem depois no campeonato profissional".

Em 2004, mesmo ano em que se formou como jornalista, Marques ingressou no quadro da CBF. A conquista maior lhe chega em 2009. No dia 5 de janeiro, ele está com o pai, abastecendo o carro em um posto, quando o celular toca. Pelo telefone, um amigo lhe dá os parabéns, contando que acabou de ver o nome dele na internet, admitido na lista de árbitros da Fifa. Marques então abraça o velho e compartilha a boa nova: "Seu filho agora é internacional!"

A vida, porém, não fica mais fácil depois disso. Trazer o brasão da Fifa no peito, por exemplo, não implica estar apenas nos melhores jogos - "você pode apitar até a série C, se for o caso" - e é preciso manter a performance em alto nível para não se perder o posto. "É bom frisar que não 'somos' Fifa. 'Estamos' Fifa." Se por um lado os ganhos duplicam (a CBF paga cerca de R$ 1,5 mil por jogo; pela Fifa são R$ 2,8 mil), a responsabilidade do árbitro quadruplica, opina Marques.

Para o bem e para o mal, ele também viu surgir a fama. Em Belo Horizonte, é reconhecido nas ruas e algumas pessoas até lhe pedem autógrafos. "Hoje represento o meu estado, Minas Gerais, na arbitragem internacional. Isso tem um peso e é importante pra mim. Mas não chego a ser um ídolo. Para o torcedor, sempre somos os carrascos", diz Marques, resignado, mas com bom humor. Como goleiro, ele nunca chegaria tão longe.

*Reportagem publicada na Gazeta do Povo, em 23/08/09

Marcadores: , , , , ,

27 de jul. de 2009

DRAMATURGIA DO FUTURO
A criação de textos para teatro é instigada e discutida na oficina de dramaturgia do SESI Paraná. Até dezembro, uma série de novas peças serão escritas
Fotos: Franco Fuchs



Eles podiam estar em suas casas, meditando solitários se as peças que escrevem estão ou não no caminho certo. Também podiam colher opiniões de amigos, ou dos atores que depois vão interpretar esses textos. Seria mais confortável. Mas não. Em uma terça-feira, quase meia-noite, um bando heterogêneo de dramaturgos (de 20 a 60 anos, alguns iniciantes, outros tarimbados) ocupa o palco do teatro José Maria Santos.

Sentados em cadeiras escolares, ouvem atentos um carioca incansável chamado Roberto Alvim (na foto, em primeiro plano) que, com seus comentários, é capaz de reduzir a pó qualquer projeto de peça genial. Esse grupo faz parte de uma oficina de criação dramatúrgica que integra um projeto maior, intitulado Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná. Os encontros da oficina, iniciados em abril, acontecem a cada 15 dias, com duas turmas de 20 pessoas. A ideia é que, até dezembro, cada dramaturgo tenha escrito uma peça nova.

BASE TEÓRICA
A esta altura do ano, as reuniões da oficina estão em uma fase bem prática, mas vale frisar que tudo começou com muita teoria, ministrada pelo dramaturgo, diretor e professor de teatro, Roberto Alvim. “Vocês leram as peças do Pinter que eu passei, né?”, perguntou o carioca já no início de um encontro presenciado pela reportagem.

Harold Pinter (1930-2008), este vencedor do prêmio Nobel e um dos expoentes do teatro do absurdo, é um dos autores contemporâneos mais citados por Alvim, que fala sobre o dramaturgo inglês com a autoridade de um estudioso e de quem encenou no ano passado a peça O Quarto (The Room, 1957).

“As possibilidades da dramaturgia contemporânea se ampliaram muito depois que Pinter aboliu as relações causais em suas peças”, explica Alvim. Ele observa também a seus pupilos como Pinter dosa bastante as informações que fornece sobre seus personagens, diferente de muitos autores que já entregam tudo de bandeja, o que tira o interesse dos espectadores. “E de que maneira a tensão se estabelece nas peças de Pinter?”, interroga, diante da turma silenciosa. “Pinter trabalha com as incertezas. A gente nunca sabe realmente o que está acontecendo nas peças dele.”

Alvim então se empolga e traça esquemas na lousa, expondo as artimanhas utilizadas tanto por obscuros dramaturgos siberianos, feito os Irmãos Presniakov, como pelo roteirista de Sexta-feira 13.

Mas com tanto conteúdo transmitido, faz questão de frisar que ninguém precisa saber de todas as técnicas para escrever uma boa peça. “Se você dominar alguns fundamentos e conseguir dar significados novos a eles, é o suficiente.”

HORA DO CONFRONTO

Cenas recém escritas são lidas e debatidas

Iniciantes ou veteranos, todos os dramaturgos concordam. Não é fácil expor um texto em processo e lidar com as críticas e sugestões inusitadas que surgem na oficina.

“Fico um pouco nervosa antes de ouvir os comentários dos colegas”, conta a dramaturga Pagu Leal, 34 anos, autora de, entre outras peças, Instruções para lavar roupa suja (2007) e Difícil amor (2004). “Ainda mais que não tenho o hábito de conversar muito sobre a minha criação. Sou daquelas que já leva o texto pronto aos atores. Esse diálogo com a turma então tem sido interessante. Um pouco traumático, às vezes, mas interessante.”

Para a dramaturga Giulia Crocetti, 20 anos, a situação é parecida. Mas ela acrescenta que, com o tempo, todos os integrantes da oficina vão ficando mais confortáveis com a ideia de se criticarem mutuamente. “Quando questionaram coisas da peça que estou escrevendo [Rebotalho, a primeira obra que ela pretende concluir], eu adorei. Levei numa boa. Perguntaram, por exemplo, qual era a finalidade de um trem que aparece na minha história [a locomotiva atormenta três personagens chamados A, B e C, que vivem em um futuro apocalíptico, explica a autora]. Percebi então que havia faltado clareza, o que me levou a repensar o que eu tinha feito.”

Também iniciante na dramaturgia, Otavio Linhares, 31 anos, é outro que lida bem com as críticas. “Afinal você não faz arte pra si mesmo, senão você fica em casa”, diz. “Sinto que as pessoas, quando comentam os trabalhos dos outros aqui, fazem com a intenção de ajudar, e não para jogar uma pá de areia.”

Mas quando julgamentos mais duros surgem, e eles sempre surgem, o próprio Alvim deixa claro aos dramaturgos. “Filtrem o que eu disser. Se algo faz sentido pra você, aproveite o conselho. Do contrário, esqueça. Às vezes falo coisas terríveis sobre algum texto, mas o autor insiste na sua ideia e depois me mostra algo surpreendente.”
* LEIA AQUI UMA CENA escrita pelo dramaturgo Otavio Linhares. É a parte final de sua peça (ainda sem título).

Marcadores: , , ,