5 de dez. de 2007

+ Leituras Recentes
Propagando Malamud
Em O Barril Mágico, como nas demais obras do autor, o ser humano está sempre diante de alguma provação


Em 2006, a editora Record relançou o romance O Faz-tudo. Este ano foi a vez dos contos de O Barril Mágico, livro até então inédito no país.

“’Vocês já leram O Barril Mágico de Malamud’”?, tenho perguntado a meus amigos. Quando alguns sacodem a cabeça dizendo que não, fico feliz por não me incluir entre eles”, escreveu a autora Jumpa Lahiri, na introdução de O Barril Mágico.

Como não recomendar Bernard Malamud (1914 – 1986)? Apesar de não ser tão conhecido no Brasil, este é sem dúvida um dos maiores escritores da literatura norte-americana e mundial.

A primeira vez que ouvi falar dele foi através de uma citação feita por Jamil Snege em sua autobiografia Como eu se fiz por si mesmo. Depois disso procurei pelo autor e me surpreendi com o que encontrei. Resultado: li um bom tanto de seus livros e passei a divulgá-los sem pudor a todo mundo que conheço.

Esse ano, por exemplo, dei de presente a minha namorada os contos de O Nu despido (Idiots First, 1963) e regalei uma amiga com o romance A Graça de Deus (God´s Grace, 1982). Como eu também merecia um presente, adquiri então O Barril Mágico (The Magic Barrel), obra que foi relançada em 2007 pela editora Record.

Publicado originalmente em 1958, O Barril Mágico foi a primeira coletânea de contos de Malamud, e logo que saiu ganhou o prêmio National Book Award.

Em todos os 13 textos d'O Barril nos deparamos com gente simples, enfrentando as mais diversas provações. É o zelador que não consegue saldar uma dívida, é o jovem escritor à beira da loucura por falta de inspiração, ou o aposentado que luta para não ser despejado.

Além disso, a maioria desses personagens são judeus – Malamud era dessa religião – ou sofredores natos. Na verdade, para Malamud todo homem era judeu, no sentido em que todo homem é um sofredor tal qual esse povo.

A sensibilidade com que Malamud conduz suas histórias, a prosa clara, envolvente, salpicada de humor, são qualidades que você encontrará em O Barril Mágico como em qualquer outra obra do autor.



Filho de imigrantes russos judeus, Bernard Malamud nasceu no bairro do Brooklin, em Nova York, a 26 de abril de 1914. Foi escritor e professor de inglês. Escreveu sete romances, entre eles The Natural (inédito no Brasil, escrito em 1952), O Ajudante (The Assistent, 1957) e Os Inquilinos (The Tenants, 1971), e publicou cinco coletâneas de contos. Retratos de Fidelman (Pictures of Fidelman, 1969) e Rembrandt’s Hat (inédito, 1974), estão entre elas. Ganhou duas vezes o National Book Award por O Barril Mágico e pelo romance O faz-tudo (The Fixer,1966), e uma vez o prêmio Pulitzer por O faz-tudo. Faleceu no dia 18 de março de 1986.

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2 de set. de 2007

+ Leituras recentes
Descobrindo Marcos Prado

carniça e caviar

ao lado dos sonhos, sempre haverá suspiros
amigos bebem todos os dias aos litros
e no fim da noite trocam tiros
não sem antes distribuir brutos sopapos
o álcool transforma príncipes em sapos
e mariposas em vampiros
a ressaca transforma todo mundo em escombros
os pesadelos curtos em longos
para uma longa noite, uma manhã em frangalhos
caminhos de bêbados são atalhos
zigzags, tropeços e tombos

*


120 minutos

espero que amanheça, não pelo sol, mas pelo ônibus
a cidade está atenta caso eu durma na praça
pra roubar minha jaqueta bota cigarro e o vale-transporte

quero que amanheça, não para acordar, mas para dormir
o primeiro ônibus passa às seis e são quatro
escrever para ficar acordado, única alternativa

peço que amanheça, não pela manhã, mas pela noite
que eu passei bebendo e esperando o primeiro ônibus
e me fez escrever até agora que ele está chegando



Acima, duas poesias muito boas que integram a antologia Ultralyrics (Travessa dos Editores, 2005), do poeta curitibano Marcos Prado (1961 - 1996). O poema “Carniça e Caviar” (parceria com Edson de Vulcanis), em especial, está dentro do CD que acompanha o livro, e é declamado pelo próprio Marcos.


Marcos Prado nasceu em Curitiba, PR, a 15 de dezembro de 1961. Foi poeta, tradutor, letrista, ator e assíduo colaborador em jornais e revistas. Morreu em 31 de dezembro de 1996, aos 35 anos. Algumas coletâneas de que participou: Sala 17 (1978); Reis magros (1979); Sangra:Cio (1980); Feiticeiro inventor (São Paulo, editora Criar, 1985); e Outras Praias/Other Shores - 13 poetas emergentes (Iluminuras, 1997).

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